quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Açoite

O corte feito por todo açoite
Desvela o rio vermelho
Mar dos comuns
Rasga a pele
Com o intuito de abrir
Na autópsia nossa
Como a procurar
Mostrar diferente
De fora para dentro
De fora para o centro
Negro no mato
Cultivando a favela
Beco, tiro e vielas
Pólvora sua
Chicote todo dia
Liberdade já tardia
Liberdade adia
Hipocrisia
Áurea lei de branco
Mãe negra perdida
Sob a bala do pranto
Orixá no pau oco
Santo
Pé de porco
Rabo
Pinga
Ginga
Do canavial
Vou em cana
Amargo preço da grama
Da gana, da grana.


Santeira

Aos pés da Santeira
Ouço o canto
Que ecoa mesmo longe da colina
Me chama pra cima
Subo a ladeira
Passando batido
Pela boemia de Santa Teresa
Não que eu queira
Mas só procuro o destino final
Lugar qualquer é vazio
Sem seu canto vadio
Que acalenta o meu cantar
Canto de dois
Que queima agora
Quiçá depois


sexta-feira, 17 de novembro de 2017

PAPO RETO

Enquanto uns batem panelas
Outros comem seu pão com mortadela
E a gente à espera
Que esse país possa mudar
Vamos pegar um jato de tinta
Apagar todas essas siglas
Que só nos levam ao mesmo lugar
Ou melhor
De tanto tirar o nosso chão
Nem temos mais para onde afundar
É cinema na cadeia
Festa na prisão domiciliar
Aposentado pedindo esmola
E o povo esperando para ver se o Flamengo joga bola
E um título levantar
O bispo ganha seu dízimo
E o ladrão seu quinhão
O povo
Nem tem pires na mão
Porque a coisa tá feia
depois de tanta treta
Que o eles não escondem mais não
Paga o deputado, vereador, senador
Se a polícia prende
Mal se comemora
O juiz já soltou
E a gente no meio de assalto
Bala perdida
Tiro pro alto
E a falta de comida leva o pobre para prisão
Diante de tanta falta de respeito
Chegou a hora de dar um jeito
Se preso não adianta
Vamos de pau, dar com a mão
Pegar geral, até o presidente
Não se pode temer
Pois juntos somos tanta gente
que o poder vai ter que ceder.  

domingo, 30 de julho de 2017

Pôr do Sol

Ei-lo
Descendo forte
Imponente
Brilhando altivo
Caminhando para o oculto
Alinhando com a linha do horizonte
Escondendo-se sob o mar
culto, Odoyá
Um espetáculo de fronte
Sentado nas Pedras do Arpoador
E o som ensurdecedor das palmas
Vindas do nove de Ipanema
Embalados no balanço da garota que passa
Que ilumina os versos do maestro
Do poeta
Com a bênção de Xangô
E o brilho de Oxum
Que revitaliza, fazendo escurecer
Abre passagem à ela
Lua, de Ogum, acompanhada e soberana
Palco negro repleto de estrelas
Vejo

Espetáculo a contemplar

sábado, 10 de junho de 2017

Rosa


Ei-la
Que não a morena de Caymi
Rosa vermelha
Como o amor de Melodia
Avistada na hora tardia
Que nasce e renasce
Protegendo o habitar
Flor pomba
Que abre a gira
Que traga a oferenda
A lhe dar
Já aberta
Gargalhada histérica
De ouvir sem escutar
Rosa vermelha
Que nasce linda no jardim
Que protege meu andar

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Saia

Sorriso que mergulha no terreiro
Ao som do tambor 
Nem branco nem negro
Um sorriso
Que roda
Saia da moda
Entra na roda 
Hora de umbigar

Mergulho eu de ti
Faz sorrir em mim
De ver a saia rodar
Não saia
Hora de umbigar

Pode Ficar

Se eu morrer não chore por mim
Porque eu vou na fé sem olhar pra trás
Desse mundo nada levo
E nem quero levar
Pois nele já não creio mais

Me disseram que desse mundo nada se leva
E quem disse que eu quero levar
Me disseram que desse mundo nada se leva
E quem disse que eu quero levar


Quero deixar para trás a minha história 
Podem ficar até com as vitórias
Para saberem que eu soube lutar
Mas desse mundo eu nada levo
Nada quero levar
Quero meu corpo vestido pra sair
Mas é despido que lá vou entrar
Chego onde não sei  quem sou
Mas daqui nada espero
Mas daqui nada quero levar
Pode ficar
Pode ficar

( Alexandre Nadai/ Sula Mendonça)

Tem gente que gosta!!!